Bella Cacela: um Algarve por desflorar

 
 Não, não é nenhuma ilha das Caraíbas... é aqui em Portugal!

Não, não é nenhuma ilha das Caraíbas... é aqui em Portugal!

 

Para uns, os planos das férias foram feitos com imensa antecedência, para outros os planos ficam para últma da hora. Seja qual for o caso, quem não quer um Algarve longe das noites loucas de Albufeira e dos areais cheios de Portimão? Esse Algarve fica na aldeia de Cacela Velha, no concelho de Vila Real de Santo António. 

Uma das mais belas panorâmicas do sotavento algarvio, de tal modo que decidi apelidá-la de Bella. É que a aldeia de Cacela Velha tem o charme das vilas do sul de Itália e o azul e branco de Santorini, com as suas casinhas caiadas.

Desta localidade muralhada, contempla-se a Ria Formosa e o mar. O acesso à Praia de Cacela Velha, também conhecida como Praia da Fábrica, só é possível de barco - pequenos botes a motor transportam os banhistas para a praia, à medida que chegam. Não há horários; a viagem faz-se sempre que há passageiros; nem qualquer tipo de cais de embarque, mantendo-se uma beleza quase selvagem e praticamente intocável. Quando a maré está baixa, a travessia da ria pode ser feita a pé.

Do outro lado da margem e atravessada a duna, abre-se uma fina língua de areia. De um lado o mar, do outro a ria, até se encontrarem no meio. As águas são transparentes e a rebentação é bastante suave durante quase todo o ano.

O pôr-do-sol dá uma tonalidade prateada ao branco das casinhas e é da Casa da Igreja, situada ao pé da igreja e fortaleza de Cacela Velha, que no fim do dia se come o prato principal da aldeia: as ostras, com a garantia de serem da Ria Formosa. 

Toda esta ponta do Algarve, desde Tavira a Vila Real de Santo António, é composta por praias de areia branca, águas calmas e poucas pessoas, uma vez que o acesso a estas só pode ser feito de barco (em média, cada bilhete de ida e volta custa €1,50), exceto na Praia do Barril, onde a viagem é feita de comboio. Mas há opções mais longas que não se destinam apenas à travessia e que permitem conhecer melhor a flora e fauna da Ria Formosa, como a rota dos golfinhos ou dos cavalos-marinhos.

Como amante da gastronomia do nosso país, não poderia deixar de mencionar algumas sugestões do que melhor se come e onde fazê-lo nesta zona.

Começando em Santa Luzia, a capital do polvo, não vale a pena perguntar onde é servido o melhor de todos. É bom em todo o lado. Ainda assim, destaco a Casa do Polvo, pela simpatia e pela divinal açorda de polvo, dentro de um pão. É também em Santa Luzia que se encontra a Praia da Terra Estreita.

No último restaurante do paredão de Cabanas de Tavira – com praia na ilha de Cabanas – fica a minha outra sugestão: é na Noélia e Jerónimo que o arroz de limão com robalo e amêijoas é rei. Ainda assim, neste restaurante a escolha é democrática e as pataniscas de polvo com arroz de coentros ou a canja de conquilhas, não ficam nada atrás.