Ver a vida pelos olhos deles

 
Photo by  Patrick Brinksma  on  Unsplash

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É um erro que qualquer pai comete. Ver nos seus filhos um mini-me. Ou porque desde que nascem são comparados com a infância do próprio adulto - "quando eu era pequeno fazia assim" -, ou porque o adulto se acha no direito de ir condicionando a vivência da criança à sua forma de ver o mundo - "isto é assim porque eu faço assim".

Parece quase natural. Durante os primeiros anos de vida das crianças, o pai e a mãe são quem os orienta, os encaminha e lhes transmite valores, conhecimento. Que os protege, os desafia. Que ralha, corrige, ampara. Que os faz descobrir, ver novos lugares, sentir de outra maneira. Um jogo que é "toma-lá-dá-cá". Uma dinâmica win-win, que regada de muito amor, cumplicidade e de confiança, vai criando uma relação única e duradoura.

Essa é uma fase, que depois evolui. E num ápice, os filhos que outrora davam os primeiros passos ou diziam as primeiras palavras, surgem com uma opinião sobre um determinado assunto, uma maneira de estar própria e impõem a sua vontade. Não estou a falar de rebeldia, tão natural e necessária na adolescência, mas da revelação de um ser único, fruto da sua própria vivência e de tudo o que foi aprendendo.

É uma sensação maravilhosa, mas simultaneamente desafiante. Tudo fica ao contrário: os pais não ensinam, mas começam a ser ensinados. Eles questionam, são curiosos, têm uma realidade diferente da dos pais que descobrem e relatam. Esta é a fase em que eles têm tendência para se fechar mais, ou apenas se relacionarem com os seus pares (ai, os amigos!), e os pais ganham o papel de espectadores. Sem forçar e impor a sua presença, escutando de forma ativa, estando disponíveis e mostrando interesse pelos seus assuntos e preocupações.
E saborear a vida vista pelos olhos deles.


Marta Amorim.png

A Marta vive em Lisboa com os seus dois filhos adolescentes. Vive a maternidade de forma intensa, gosta de viajar, ler e de uma boa conversa. Todos os dias tem histórias para contar, mas nem sempre tem tempo para as escrever. E não sabe andar de bicicleta (e não se importa). Sigam a marta no seu blog e no facebook.