Um date com a minha filha

 
 Photo by  Sai De Silva  on  Unsplash   A facilidade de convivência quando os filhos são pequeninos

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A facilidade de convivência quando os filhos são pequeninos

 

A rotina do dia-a-dia vai fazendo com que o tempo para estar verdadeiramente juntos seja cada vez mais raro. Acordar, tomar banho, pequeno almoço, escola, trabalho, estudo, treino, explicação, ensaio, jantar, dormir. Este corre-corre deixa pouco espaço para uma conversa mais demorada, que vai pouco além do "como foi o teu dia hoje?". Uma troca de palavras sobre fugazes momentos do dia.

Se a mãe já não é a confidente das "cenas" do dia a dia, que hoje se partilham entre mensagens encriptadas, fotos e vídeos nas redes sociais, continua a ser importante encontrar o tempo para que a cumplicidade com os filhos se mantenha viva.

Às vezes lá se juntam os astros e consigo, entre o estudo de um e o ensaio do outro, ter uma conversa mais demorada com um deles. É bom porque têm toda a minha atenção e assim sentem-se mais à vontade para falar sem a presença do outro. Há segredos que se partilham, compromissos que se fazem e conselhos que se trocam. Abrimos o nosso coração, rimos, choramos, falamos, ouvimos.

E por vezes fujo com um deles para um date só nosso. Um almoço ou um lanche, uma ida às compras ou à praia, uma caminhada junto ao mar ou uma sessão de cinema. Ir a um sítio que eles gostem ou que eu escolha. No regresso a casa depois de uma saída com amigos ou no meio de dois compromissos. Um momento só nosso. Como se fosse filho único por umas horas.

Uma forma como tantas outras que encontrei para ter um maior equilíbrio na minha relação com os meus dois adolescentes, que são tão iguais e tão diferentes, mas que precisam da mãe só para si de vez em quando. E não sei quem fica mais feliz, se eles se eu.


Marta Amorim.png

A Marta vive em Lisboa com os seus dois filhos adolescentes. Vive a maternidade de forma intensa, gosta de viajar, ler e de uma boa conversa. Todos os dias tem histórias para contar, mas nem sempre tem tempo para as escrever. E não sabe andar de bicicleta (e não se importa). Sigam a marta no seu blog e no facebook.