A leveza da juventude

 
Photo by  Sai De Silva  on  Unsplash

Photo by Sai De Silva on Unsplash

 

Da série: 'coisas que os meus filhos me ensinam'.

O ser mãe de um adolescente é um desafio diário. Não que o percurso da infância não tenha os seus obstáculos (mas têm mais a ver, na minha opinião, com etapas do crescimento motor e não tanto com o desenvolvimento da personalidade), mas a partir dos 12, 13 anos começa a surpreender-nos na forma como reage a determinadas situações.

Parece que de repente é outra pessoa, diferente daquela que vimos dar os primeiros passos, ensinámos a ler e escrever, que já nos pregou uns sustos valentes e foi responsável por tantas noites mal dormidas. É uma pessoa autónoma e independente, pensa pela sua cabeça e verbaliza as suas ideias. Que nos obriga a rebobinar e a pensar "quando é que ele aprendeu isto?".

É também nesta fase que a máxima - "eu sou tua mãe, não sou tua amiga" - começa a ser mais intermitente. Queremos criar ligações de maior e melhor qualidade, estar mais presente, mais próximo, fazer programas em conjunto que estimulem a sua curiosidade, mostrar aquilo de que gostamos. E simultaneamente, preservar a sua e a nossa privacidade, o espaço de cada um. Uma tarefa árdua. Um terreno pantanoso, onde muitas vezes ficamos sem pé e temos de nos socorrer de algumas bóias de salvação para voltar à tona de água.

Nesta montanha russa de "o-que-é-certo-pode-ser-errado", decidi há algum tempo ser mais sincera nos meus sentimentos, mais autêntica nas minhas emoções junto dos meus filhos. Deixar de usar a máscara que a vida adulta me impõe, e que salvaguarda a tal privacidade, e comecei a ser mais genuína a mostrar a minha felicidade, a superação, o medo, a frustração, a fragilidade. E sinto que isso criou entre nós uma ligação.

Foi num desses desabafos, de que teria receio da reação das pessoas em relação a uma determinada situação, que o meu filho [agora já um quase jovem-adulto], em jeito de conselheiro maduro e muito experiente, me diz: 'se é isso que queres, não te preocupes com o que as outras pessoas pensam'.

Depois de surpreendida, fica a coragem, a força e o entusiasmo que estas palavras me ensinam. O peso da sociedade que tantas vezes nos limita a nós adultos e que, na leveza da juventude surge como o conselho mais puro e assertivo. Uma troca de papéis que me fascina, todos os dias


Marta Amorim.png

A Marta vive em Lisboa com os seus dois filhos adolescentes. Vive a maternidade de forma intensa, gosta de viajar, ler e de uma boa conversa. Todos os dias tem histórias para contar, mas nem sempre tem tempo para as escrever. E não sabe andar de bicicleta (e não se importa). Sigam a marta no seu blog e no facebook.