#BeGreen: O Custo da Roupa Barata

 
 Photo by  Anna Utochkina  on  Unsplash
 

Nunca fui de comprar muita roupa, apenas tenho a quantidade suficiente. Não tenho paciência para andar em lojas de roupa, nem tão pouco para a confusão dos saldos. Livrem-me dos amontoados de roupa por favor! No entanto, adoro ver roupa de criança. Perco-me a ver tanto roupa de menino, como de menina... Já repararam que o sector de menina é sempre o triplo da de menino? Ultimamente tenho comprado roupa mais barata para as crianças, afinal, deixam de servir tão rápido... mas houve um post no blog Vinil e Purpurina que me chamou a atenção sobre este tema do fast fashion.

Afinal, quem faz as nossas roupas?

Como é possível que uma t-shirt custe 1,75€? Onde há lucro nisso? Tem que se pagar o algodão, estampagem, acessórios, transporte e mão-de-obra. Como isso tudo vale 1,75€ e ainda ter lucro?

Já alguma vez pensaram que estas roupas que compramos e que por vezes ficam esquecidas no armário porque temos tantas outras para usar? E que estas possam ser fruto de trabalho escravo ou infantil? Quantas crianças passam o dia a trabalhar para que as nossas se possam vestir? 

Estive a ver o documentário "The True Cost" e não me sai da cabeça. Aconselho a todos a verem porque ajuda a abrir os olhos para esta realidade.

As grandes marcas que usamos todos os dias como a Zara, H&M, Levis, Primark, Nike, etc., mandam fazer as roupas no Bangladesh. Neste país existem quatro milhões de pessoas a trabalhar no sector da confeção em condições miseráveis. Não existe ordenado mínimo e por dia ganham uns míseros três dólares, sem horário estipulado e quem se atrever a se manifestar contra o patronato é possível que seja agredido.  No documentário conhecemos Shima, uma trabalhadora deste sector que leva a filha para o trabalho. A fábrica é excessivamente quente e sem condições. Foi agredida por ter pedido um aumento de salário e teve de deixar a filha na aldeia dos pais onde só a pode visitar uma ou duas vezes por ano. 

Custos Ambientais 

Em Deli, na Índia o algodão é vaporizado com pesticidas. A população circundante sofre de cancro entre outras doenças e não têm dinheiro para tratamentos, apenas para sobreviver o melhor que podem. Este é o mesmo em que nos apercebemos da importância do algodão orgânico. Pergunto-me se a nossa própria roupa nos faz mal?

Sabiam que apenas cerca de 10% das roupas doadas são reutilizadas? Os restantes 90% são depositados em aterros no Haiti ou China. Roupas e roupas e mais roupas. Montanhas. E não, não são biodegradáveis, acabando por libertar gases tóxicos nocivos ao meio ambiente e à saúde, chegando a demorar cerca de duzentos anos a desaparecer. 

A indústria dos curtumes na Índia liberta crómio nas águas que faz com que as pessoas fiquem doentes com icterícia e cancro, agravado pelo facto de não terem meios para pagar tratamentos e viverem na miséria. 

O fast fashion faz com que nos sintamos satisfeitos com as compras que fazemos. Num instante parece que temos muito, mas quem ganha não somos nós, mas os donos das marcas que são milionários, à custa da miséria humana.

Quantas peças caras que vemos nas lojas são costuradas nas mesmas condições?...

Solução

Ao falar com algumas pessoas sobre o assunto disseram-me: e o que podemos fazer? Nada certo? Podemos. Podemos ver as etiquetas antes de comprar uma peça, podemos comprar roupa Made in Portugal que ainda existe em tantas lojas por essas ruas, podemos manifestar o nosso desagrado. Alguém têm mais alguma sugestão?

 


Vânia Trindade.png

Vânia Trindade é designer de profissão mas sobretudo mãe, amante da natureza, do mindfulness e do slow living. Sigam a Vânia no seu blog e no facebook.