Ah! Venice...

 
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Talvez tenha visto “Indiana Jones e a Grande Cruzada” demasiadas vezes, mas a verdade é aquele “Ah! Venice...” que o Harrison Ford solta com diferentes entoações ao longo do filme, não deixa de ser interessante no sentido em Veneza é mesmo assim, única e capaz de suscitar diferentes sensações dependendo da parte da cidade em que estamos.

Origens

Veneza é uma cidade única.É uma província da região do Vêneto, no norte de Itália e conhecida pela La Serenissima.

Possui uma beleza inconfundível com os seus palácios, praças e canais por onde circulam as tão famosas gôndolas. Lembro-me da primeira vez que lá estive. Cheguei no fim da manhã de um dia com algum nevoeiro e ver surgir a cidade foi uma experiência quase mística. É das cidades mais originais e românticas do mundo, para mim e para muitos outros.

História

 
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Fundada por volta do ano 1000 a.C. a região do Vêneto foi ocupada pelos Vénetos, um povo oriundo da região do Mar Negro. Com os ataques dos gauleses a tornarem-se frequentes e cada vez mais violentos, os Vénetos aliaram-se aos Romanos, e foi desde então que se deixou de ouvir falar deles. 

Mais tarde, no século IV os bárbaros do Leste invadiram Itália, tendo passado pela região do Vêneto. Foi precisamente devido a estas invasões que Veneza nasceu, pois, os habitantes das cidades desta região começaram a refugiar-se nas pequenas ilhas da laguna de Veneza, onde era difícil os invasores entrarem, uma vez que não dominavam a arte da navegação. Estas pequenas ilhas tinham um acesso difícil, mas eram seguras. Eram cerca de 120 ilhotas cortadas por 177 canais.

Depressa as ilhas se tornaram pequenas para a quantidade de pessoas que ia chegando. Os venezianos transformaram então o mar em terra, construindo sobre as águas que separavam as ilhas. A cidade começou a avançar sobre as águas.

A Salvo das Marés

 
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Para evitar inundações, os venezianos desenvolveram um método de construção baseado em fundações elevadas. Precedendo as técnicas utilizadas na reconstrução da Baixa Pombalina e na criação de S. Petersburgo, foi utilizada madeira para construir milhares de estacas com vários metros, que eram colocadas no solo, umas ao lado das outras, formando plataformas de madeira elevada. Após a colocação de milhares de estacas de madeira, foi colocado uma camada de base de madeira e de pedra, na qual os edifícios de Veneza foram construídos. O que vemos hoje encontra-se assente nesta estrutura.

Pontos de Interesse

Basílica de S. Marcos

 
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Um dos “Oh! Venice” do Indiana Jones é soltado quando ele escapa de umas catacumbas, infelizmente inexistentes na realidade, por uma tampa de esgoto com saída na Praça de S. Marcos, onde a Basílica com o mesmo nome está localizada.

Esta é um dos principais exemplos da arquitetura bizantina no país. Começou a ser edificada no ano de 828, quando as relíquias de São Marcos foram roubadas e trazidas de Alexandria para Veneza. Uma relíquia é um objeto pessoal ou parte do corpo de um santo que é preservado para que possa ser venerado. Neste caso a relíquia era o corpo do São Marcos. Na época as relíquias podiam funcionar como um poderoso unificador social e económico, atraindo peregrinos e mercadores. Por isso, foram muito bem-recebidas quando chegaram a Veneza. O facto de estas pertencerem a São Marcos, foi determinante para que tivessem sido especialmente bem-recebidas, pois foi ele que evangelizou a região, sendo o seu santo padroeiro.

O que vemos hoje é a terceira igreja contruída no mesmo local. A Basílica foi destruída por dois incêndios, tendo posteriormente sofrido reconstruções. Num desses incêndios as relíquias de São Marcos foram consideradas perdidas. Reza a lenda que uns anos mais tarde o santo revelou a localização dos seus restos mortais estendendo um braço a partir de um pilar

Burano 

 
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A ilha de Burano é encantadora e as casas que por lá existem têm fachadas com muita cor, o que dá uma enorme alegria a este local.

Desde o século XVI que os donos das casas têm de pedir autorização ao governo para pintar a casa. É o governo que define qual a cor que deve ser utilizada para pintar cada uma das casas.

Esta ilha é também famosa por uma renda executada há séculos. Uma visita a essa ilha deverá englobar uma ida à Lace School of Burano, que existe desde 1872. É o local onde se ensina a fazer esta renda e onde está o museu desde 1981. Neste local é possível conhecer a história da renda de Burano e ainda assistir ao vivo à execução desta tradição secular.

Murano

 
 Imagem:  Museo del Vetro
 

Murano é um arquipélago de sete ilhas, mundialmente conhecido pelo vidro com o mesmo nome, que é a sua atividade comercial principal.

Já no ano 1000 se trabalhava o vidro. Para moldar e trabalhar o vidro é necessário que este esteja a altas temperaturas. Dado que a construção na ilha de Veneza ser quase toda praticamente de madeira, se existisse um incêndio as consequências seriam terríveis. Em 1291, todos os que trabalhavam o vidro foram obrigados a mudar-se de Veneza para Murano e ainda hoje se encontram nesta ilha.

A fama de Murano espalhou-se por toda a Europa e quem trabalhava com vidro foi proibido de sair da República. Existia o receio de que os segredos do trabalho com vidro pudessem ser partilhados.

Aconselho visitar uma fábrica de vidro para ficar a conhecer o processo de fabricação artesanal, e o Museo del Vetro. Para conhecer um pouco melhor a ilha também poderá visitar as Igrejas de Santa Maria e São Donato.

Torcello

Esta ilha é muito tranquila, sendo conhecida por alguns como a “Ilha esquecida”. Desde o século V que era já habitada, sendo uma das antigas da laguna de Veneza a estar ocupada. Foi também um dos primeiros locais para onde os habitantes das cidades incendiadas e saqueadas pelos bárbaros se refugiaram. Mais tarde o Bispo de Altino transferiu-se para Torcello, tendo passado a ser aqui a sua residência oficial.

Poderá não ser tão sugestiva como Murano ou Burano, mas é extremamente interessante de visitar. Ir a Piazetta e ver o trono do Átila, é algo imperdível, bem como a Igreja di Santa Fosca e a Basílica di Santa Maria Assnta, sendo esta última é uma das mais antigas de toda a Itália.

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Gôndolas

 
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Para muitos, as gôndolas são uma tourist trap, mas ir a Veneza e não andar de Gôndola é como ir a Paris e não ver a Torre Eiffel!

Estas embarcações são típicas desta cidade e fazem parte do imaginário romântico de muitos. Os acabamentos e a estrutura das gôndolas que existem atualmente nos canais de Veneza sofreram várias alterações ao longo dos tempos, sendo que as embarcações foram acompanhando as transformações da cidade.

A história remonta ao ano de 1094, quando estava no poder o Doge Vitale Faliero Dodoni, membro de uma nobre família veneziana. Este deu aos habitantes da cidade “gondulam” para que estes pudessem deslocar-se pelos canais e para tentar apaziguar a fúria popular. A sua eleição decorreu de um clima de revolta e Vitale acabou por subiu ao poder depois do anterior Doge ter sido deposto. E assim surgiram as primeiras gôndolas, que foram rapidamente adotadas pelos venezianos. O objetivo do Doge era que os principais utilizadores fossem os camponeses, mas na realidade eram os mais ricos que utilizavam este meio de transporte.

Ao longo dos anos Veneza transformou-se numa próspera cidade comercial e as gôndolas tornaram-se um meio de transporte de grande prestígio. Eram conduzidas por dois gondoleiros e tinham uma cobertura que protegia das intempéries e dos olhares curiosos. Em 1884, o construtor de gôndolas Domenico Tramotin criou uma mais ágil e conduzida por um único gondoleiro, a remar no lado direito da gôndola. Infelizmente isto criava o efeito perverso de fazer a gôndola inclinar-se para o lado oposto. Tramotin teve então a ideia de curvar o casco e encurtar o lado direito para equilibrar a força do remo. O remo passou a servir de leme. 

As cores das gôndolas variavam de acordo com o seu proprietário. Era um mar de cor e imensa ostentação pelos canais de Veneza, até que em 1633, o governo ordenou que todas as gôndolas (com exceção das do governo) fossem pretas e que tivessem apenas um elemento decorativo. A cor preta provinha do alcatrão que fornecia uma melhor impermeabilização às embarcações.

 
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Veneza é realmente uma cidade original, construída sobre as águas e com uma rotina peculiar. Visitá-la é um passeio que se deve fazer pelo menos uma vez na vida. É uma cidade única e com uma atmosfera completamente romântica. Tal como está, já tem 500 anos. Aconselho que sejam passados por lá pelo menos uns 4 ou 5 aproveitar tudo com muita serenidade. Fique a dormir em Veneza se puder, para que possa percorrer as ruas menos turísticas e deixar-se ficar quando a maioria dos turistas se for embora, ao final do dia.

 


 
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Catarina é uma blogger de viagens a tempo inteiro, com uma curiosidade insaciável em perceber o que vê. Para ela viajar é mais do que tirar umas fotos! Segue as Aventuras de Catarina no seu Site, Facebook, Instagram, Twitter, Pinterest e YouTube.