Diário de uma espécie de Mãe #1

 
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Olá a todas, escrevo-vos do alto do meu segundo dia de gravidez (com o meu conhecimento). Eu sei que não é suposto contar a ninguém visto que mil e uma coisas podem correr mal, mas imagino que não seja a única nesta situação. Primeiro desabafo: estou a panicar, e penso que a melhor forma de parar de panicar é expondo as minhas inseguranças e pavor a todas as que estão ou estão em vias de estar na minha situação.

Segundo desabafo: não posso partilhar o meu nome visto que ainda ninguém sabe desta boa nova tirando eu o maridão. A outra razão para não partilhar o nome com um mundo de pessoas que lê o Peachy (fui informada que ainda não é um mundo, mas talvez uma mini aldeia... a propósito: olá mãe!),  deve-se ao facto de não querer começar a ouvir opiniões de toda a gente que conheço. 

A minha ideia é partilhar textos/episódios muito curtos de todo o processo até aqui e daqui para a frente. Sigo uma imensidão de blogues de mães, uns muito bons que nos dizem as coisas como elas são e outros que nos contam contos de fada. Ainda não sei em que mundo vou viver, se num conto da Disney ou num livro do George RR Martin, por isso estejam preparadas para ambos. 

Os sintomas

Nem todos os sintomas de grávida são os que se lêem por aí! Não me doem as mamas, não estou enjoada, não tenho sono. Estou sim com um mau feitio descomunal (não posso culpar este estado por isso) devido a ter dores do período há mais de uma semana. Agora imaginem, eu não sei se vocês sofrem muito ou pouco, mas o meu útero pratica haraquiris uma vez por mês, uma pessoa aguenta porque é um dia, enche-se de paracetamol e esvai-se em sangue. Mas um dia, dois dias, três dias, e nada… uma pessoa desconfia.

Faz o bendito do teste de gravidez. Como eu não confio na minha capacidade de mijar para um pau, lá vou eu buscar o copinho, fazer xixi lá para dentro e embeber o pauzinho durante vinte segundos (ou dez consoante os casos) lá dentro. Negativo. Mau! Mas então o que se passa?

Quatro dias, cinco dias… o melhor é fazer o teste com o xixi da manhã que tem mais power! Uma noite em branco devido ao pânico e no dia a seguir aí está ele. O sinal de +. O coração só não sai pela boca porque não dá, fuma-se meio cigarro dos nervos e não se consegue... O peso na consciência é tramado. Volto para a cama para acordar o maridão com a notícia. “A sério? Que bom, mas já tinha andado a ler umas coisas e vi que quando se têm dores menstruais e não aparece é provável que se esteja grávida!”. Quem tem um homem destes, tem tudo. 

E Agora?

Agora, vamos ao médico? Espera! Fazemos outro teste? Se calhar é melhor. Positivo outra vez. Ok agora é mesmo a sério. Bolas, quero um cigarro! Merda, sabe mal! Vamos almoçar fora. O que é que posso comer? Não sou imune a toxoplasmose (já tinha feito analises) e de repente fico burra e antes de qualquer dentada vou ao google pedir autorização. Servem-me de vinho ao almoço. Bolas, e se for só um golinho? Espera por ires a médica. Decido ir ao ginásio. Será que posso? Será que se saltar faz mal? Uma em cada quatro gravidezes acabam no primeiro trimestre. Acham que deva panicar? Merda!

Respira fundo, não penses no pior, mas também não te entusiasmes. Sabia que isto não era fácil, mas também não sabia que ia ficar estupida de um dia para o outro, tipo coelho no meio da estrada a olhar para os faróis de um carro. 

Enfim, já chega que já desabafei por hoje. Vão seguindo o que aí vem. Não prometo ser racional, nem ponderada, nem transformar isto num conto de fadas. Também não prometo deixar de dizer asneiras, nem de fumar cigarros que me sabem mal. Vamos ver o acontece.

Também estão a panicar? Respirem fundo! Não resolve nada mas é o que dizem para fazer!


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Madalena acabou de descobrir que está grávida. Madalena quer fazer um guia da sua gravidez com o mínimo de Bullshit possível. Temos quase a certeza que vai ser hilariante e de um realismo extremo.

Não percam o próximo episódio, porque nós também não.