Depois do “Viveram Felizes para sempre”

 
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Quase que consigo imaginar a versão cinematográfica do nascimento do meu filho. Depois de várias peripécias e de um pequeno momento de tensão rapidamente ultrapassado, o bebé é posto nos meus braços, imaculado, envolvido num pano de aspecto ultra suave. Começa uma música de fundo alegre, o meu marido envolve-nos nos seus braços e trocamos todos aquele olhar de amor que uma nova família tem de ter. A imagem escurece e os créditos começam. E viveram felizes para sempre...  

Até podia ter sido assim, mas o “felizes para sempre”é mais um objetivo de longo prazo do que uma benesse imediata. Depois do parto, como devem imaginar estava bastante cansada e claramente não houve música feliz a anteceder os créditos e, tornou-se claro que a partir daquele momento o tempo para recarregar baterias iria ser muito reduzido.

Olhando para trás, devia ter aproveitado o facto do meu bebé também estar exausto, para tentar descansar o máximo possível, mas já se sabe o que aconteceu. Apesar da minha exaustão, quase não preguei olho na primeira noite com ele. E ao contrário do que possam pensar não foi por ter de dar mamar e afins... ok, foi, mas não foi só por causa disso. Se não estava a mamar, estava a dormir descansado, e eu, em vez de dormir estava completamente vidrada nele e, principalmente, a ver se ele respirava. Parece coisa de malucos mas passei a noite inteira a tocar-lhe no peito ou nas costas para ver se ele estava a respirar, de tão pacífico que estava.

Ficámos dois dias no hospital, apesar das midwivesjá estarem prontas para nos mandar para casa. Apesar disso, eu não me sentia confortável para sair do hospital pois o bebé estava a ter alguma dificuldade em pegar na mama e poder amamentar era das coisas que mais queria. Acabámos por ficar aquela noite para eu ter algum tipo de suporte nesse aspeto. A nível profissional as midwivestêm momentos em que conseguem ser bastante difíceis de trabalhar, mas como doente, e estando do outro lado, foram espetaculares!

Quando fomos para casa é que a "diversão" começou. Aqui no Reino Unido, no dia a seguir à mulher regressar a casa, há uma visita domiciliária da sua midwifeque a seguiu ao longo da gravidez. Esta vem ver como a mãe está, se tem alguma dúvida, se precisa de algo, etc. Passado um par de dias tem outra e assim sucessivamente, para ir vigiando a recuperação da mãe, dar-lhe algum apoio, por exemplo para na amamentação e, claro, na acompanhar os primeiros momentos do bebé.

É completamente normal o bebé perder peso na primeira semana e o meu não foi exceção... Foi nesse momento que me apercebi de que o meu "Eu" profissional, não gosta de comunicar com o meu "Eu" maternal. Eu sabia que é normalíssimo e até esperado os bebés perderem entre 10 a 15% do seu peso, mas mesmo sabendo isso o meu coração de mãe ficou muito apertadinho e angustiado.

Na minha cabeça havia uma torrente de maus pensamento que afirmavam que eu não era boa mãe, que não estava a saber cuidar do meu filho, entre outras paranoias que penso que sejam comuns a todas as que são mães pela primeira vez. Claro que depois dessa semana, o meu bebé começou a engordar a olhos vistos, e com pesagens semanais os números confirmavam isso mas, infelizmente, as minhas inseguranças continuavam a tocar na minha cabeça. Se se estão a sentir assim, agradeçam isto à explosão hormonal que o corpo sofre depois do parto... Obrigada Mãe-Natureza! Fui-me um pouco abaixo e os chamadosbaby bluesatacaram-me em força! Sentia-me um falhanço como mãe cada vez que o menino chorava... mas isto fica para um próximo artigo. 


 
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C.C. é viciada em palavras: as que lê e as que escreve. Sigam as suas aventuras aqui no Peachy e os episódios do seu dia-a-dia à medida que acontecem, no seu blogFacebook e Instagram.