Diário de Viagem: Adeus rotina, olá fim de semana na Costa Vicentina!

 

Quatro amigos, um carro e uma praia diferente a cada dia – mesmo que sejam apenas três dias. Um fim de semana prolongado é o quanto basta para quebrar a rotina e recarregar baterias, então se for em praias com água cor de postal, a menos de duas horas de Lisboa, melhor ainda! 

O Sudoeste Alentejano já não é novidade nem segredo, mas continua a valer a viagem. A rota é simples: pega-se no carro, colocam-se as tendas e sacos de cama na bagageira e vão-se sucedendo as praias.

E foi assim que, após uma viagem de janela aberta por entre um Alentejo de várias cores, chegámos a Porto Covo. Primeira paragem: Praia Grande. Demos de caras com um mar a querer dar nas vistas, com as suas imponentes ondas a exigir respeito. Ainda assim, tudo controlado e os mergulhos foram dados, várias vezes, para nos lavarem do cansaço da cidade. Quando o dia chega ao fim, é de uma esplanada que se deve beber da plenitude desta costa e umas quantas imperiais, se possível ao pôr-do-sol. Um clichê? Sim, mas quem nunca?

Ao segundo dia partimos em direção a Vila Nova de Mil Fontes, onde tomámos o pequeno-almoço na famosa pastelaria Mabi. Os croissants com doce de ovo fazem esquecer qualquer dieta! Na verdade, toda a gastronomia alentejana: as migas, o arroz de amêijoas, as açordas e…bom, já estão a salivar? 

Aproveitámos para passear pelo centro da vila, apreciar as casinhas vestidas de azul e branco, conhecer as suas gentes e visitar os comércios locais. À tarde, fomos conhecer a Praia do Malhão, que fica entre Vila Nova de Mil Fontes e Porto Covo. Percorremos as águas a pé, admirámos um areal protegido por rochas e reencontrámos um velho amigo que vive no estrangeiro.

 

Ao terceiro e último dia, tempo de arrumar toda a tralha. Foi por esta altura que nos arrependemos de ter comprado tendas que se abrem em segundos e que, pelos vistos, se fecham em horas. Lembrámos com nostalgia aquelas tendas vintage, que não exigiam de nós todo um esforço mental a decifrar a fórmula para fechá-las. Ainda assim, conseguimos ter tempo para fugir até à Praia da Samoqueira e... Uau! Tivemos a sorte de encontrar maré baixa, que pôs a descoberto diversos rochedos que entrecortavam o areal. A praia tem também uma pequena lagoa interior, ideal para crianças.

 

A melhor parte de uma road trip é não ter horários. Apesar de no relógio já ser hora de jantar, a vontade de regressar a casa teimava em não chegar. É quase impossível resistir aos encantos de uma praia deserta por esta altura do dia, de areia já fria mas tão fina, mais o cheiro a água salgada e os tons do lusco-fusco a pintarem o céu e o mar.

Durante os três dias, optámos por refeições em restaurantes – não é tão em conta como enlatados, mas dá para experienciar o que de melhor se come no Alentejo. Destaque para o restaurante “A Choupana”, que tem peixinho fresco grelhado e o mar como vista, e para o restaurante “Zé Inácio”, especialista em polvo à lagareiro e com carnes bem suculentas, sempre em doses generosas.

No campismo a máxima é «deitar cedo e cedo erguer», já que o calor e o desconforto da natureza assim o obrigam. Para se passar o tempo, nada como um baralho de cartas ou um board game.

Se estiverem a pensar partir à aventura como nós, aconselho-vos a levarem um corta-vento, um colchão de espuma (se for de encher, melhor!) e roupa quente para as noites frias; e tenham cuidado redobrado nas casas de banho (usem sempre chinelos!). Lembrem-se: nada de grandes planos porque não vão ser cumpridos à risca. E ainda bem!