Não há desculpa para em tempo de férias deixar os animais para trás!

 

Nesta altura do ano multiplicam-se os apelos contra o abandono de animais de companhia. Mas as férias não devem nem podem continuar a ser sinónimo de que os nossos melhores amigos ficam para trás.

Cá em casa somos cinco: o meu marido, eu e os três animais que partilham connosco a casa. Na altura das férias parece que nos multiplicamos, pelo menos a avaliar pelas malas e bagagens, mas a nossa primeira preocupação é assegurar que o nosso local de destino permite a entrada de animais de companhia ou que o “tio” da malta de quatro patas pode vir ficar cá em casa e fazer Pet Sitting. Hoje em dia já são muitos os locais que aceitam e respeitam a presença de animais de companhia, desde hotéis a parques de campismo e alojamentos locais, com diferentes soluções e preços.

Como em qualquer viagem, convém verificar tudo com antecedência, principalmente se o animal tem as vacinas em dia, se está identificado eletronicamente, se a chapinha com contactos está colocada na coleira ou no peitoral  e se o seu estado de saúde ou idade lhe permitem viajar. Também é importante verificar as condições do destino, tais como: o animal pode ficar no quarto ou tem de ficar alojado em canil? Há parques e praias na localidade que permitem o acesso dos animais ou terá de permanecer sozinho durante a vossa ausência?  Estas são algumas das questões que devem colocar atempadamente para que tudo corra bem.

Mas atenção, pois nem todos os animais gostam de acompanhar os donos nas suas aventuras. Os gatos, por exemplo são em regra muito apegados ao seu espaço e stressam facilmente com as viagens, pelo que nestes casos o ideal será assegurar que algum familiar pode ficar com eles em casa ou aloja-los temporariamente num hotel para animais. Neste último caso convém sempre ter um familiar ou amigo por perto e que em caso de alguma emergência possa deslocar-se prontamente para ver se tudo está bem com o animal, assim como conhecer previamente as condições do local: se está licenciado, se tem pessoal técnico apto a tratar dos animais, se as condições de alojamento asseguram o bem-estar do nosso melhor amigo.

Durante a viagem o animal deve estar devidamente acondicionado, seja na transportadora ou com cinto de segurança adequado e nas viagens longas devemos parar de duas em duas horas para descansar e esticar as pernas, incluindo o quatro patas.

 
 

Nem todas as praias admitem a presença de cães durante a época balnear (com exceção dos cães guia), mas neste Portugal à beira mar plantado e com o extenso areal que temos, são algumas as praias que permitem que toda a família desfrute de um dia de sol. No entanto, há alguns cuidados a ter com o seu amigo - desde logo evitar as horas de maior exposição ao sol, ter  sempre sombra e água fresca disponíveis, alguns brinquedos para que esteja entretido, toalha para o secar, colete salva-vidas se for com eles para a água e não existir qualquer contraindicação médica ou em razão da idade. E claro não esquecer dos saquinhos para os dejetos, pois o seu cãopanheiro não vai querer que o seu tutor fique mal visto...

Devemos manter sempre os animais supervisionados e ter particular atenção com os picos de calor e o sobreaquecimento dos animais, que podem se fatais. Em circunstância alguma os animais devem, por exemplo, ser deixados sozinhos no interior de veículos, mesmo que seja só por cinco minutos.

Com tantas soluções existentes, as férias não têm de ser uma dor de cabeça para os tutores de animais e não há desculpas para que os animais de companhia continuem a ser abandonados.

Infelizmente, os números continuam a revelar o flagelo que existe no nosso país: dados oficias da DGAV indicam-nos que anualmente cerca de 26000 animais dão entrada nos Centros de Recolha Oficiais, um número muito aquém da realidade, pois nem todos os municípios têm canis/gatis oficiais e este número não inclui os animais entregues ou abandonados nas associações de proteção animal.

Para além de o abandono ser um ato moralmente condenável, não posso deixar de recordar que é um crime punível com pena de prisão até 6 meses ou pena de multa até 60 dias (artigo 388.º do Código Penal), pelo que se tiverem conhecimento de alguma situação denunciem de imediato às autoridades localmente competentes (PSP, GNR e Médicos Veterinários Municipais) e assegurem-se que o animal é recolhido.

 
 

E já agora fica a dica, na volta das férias não se esqueçam de aderir à campanha da Associação União Zoófila – “Não há desculpa” - e enviar as fotografias das férias com os vossos melhores amigos para o email uniaozoofila@gmail.com , tenho a certeza que vamos ter momentos bem divertidos para partilhar!

Boas férias, para TODA a família!


PS: A Bekas, que é muito prevenida, já se apressou a fazer as malas! 

 
 
 
 

Nota do Editor: Este artigo resulta de uma parceria entre o Peachy e o partido PAN - Pessoas - Animais - Natureza, que gentilmente se disponibilizou para contribuir com artigos para o nosso site. O artigo em questão não representa a nossa afiliação política, mas antes uma forma de estar social: o abandono de animais é crime e desumano, e nós somos manifestamente contra estes e outros atos vis e cruéis.