O Regresso (ao Futuro) do 3310

 
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Todos nós nos lembramos do Nokia 3310. Lançado no ano 2000, esteve nos tops de venda mundial durante anos e é até hoje considerado o melhor telefone de sempre. Nessa época ainda não existiam telefones com câmeras, a internet para o telemóvel estava longe de ser como agora, e não tínhamos as práticas tecnológicas que temos hoje em dia. Pelo menos não com a mesma facilidade e eficácia.

A evolução foi de tal maneira grande que esse maravilhoso equipamento foi colocado de parte.
Nunca me esqueci daquele telefone: o som das teclas, as mensagens infinitas que escrevíamos e que em vez de se transformarem em MMS eram partidas em várias SMS, as músicas que conseguíamos criar (e enviar de telefone em telefone), as inúmeras capas que existiam e que neste momento achamos feias mas que na altura faziam todo sentido.

Quem é que não foi viciado em Snake II? É claro que hoje em dia também existem milhares de jogos, mas nenhum tão emocionante como esse. Não por ser apenas um cobrinha que apanhava as maçãs e ia crescendo com elas e dificultando o jogo, mas sim por ser (quase) o único jogo existente em telefones que de facto marcaram a vida das pessoas (a mim marcou-me). É claro que existiam três jogos nesse telemóvel, mas o melhor era sem dúvida o Snake II. Ainda hoje sinto saudades do jogo: era um excelente entretenimento, emocionante e viciante.

Essa época passou e com ela ficaram os bonecos que fazíamos com os sinais de pontuação, o Snake, os toques feitos por nós... Até mesmo aquela sensação de solidez que o 3310 tinha. Ficou para trás um tanque de guerra. Sabem porque lhe chamo isso? Simples, quando tinha 13 anos, fui atropelada numa passadeira, cujo acidente me fez várias marcas, mas sabem o que ficou totalmente inteiro? O meu telemóvel. Na altura com o embate a única coisa que o Nokia sofreu foi uma mossa na tampa traseira, portanto acreditem, ele era um verdadeiro tanque de guerra.

Em pleno 2017, podemos encontrar a nova versão do Nokia 3310, mas com novas funções, e apesar de serem muito mais baixas do que os restantes smartphones do mercado, ele tem várias características cujo antecessor não tinha. O Nokia 3310 2017, vem com uma câmera fotográfica de 2 megapíxeis, com flash e com uma memória interna de 16 mb, com a opção de colocar um cartão de memória e uma bateria de 1200 mAh. Com isto podemos verificar a melhoria e performance em relação ao antigo Nokia, mas em comparações a única coisa que podemos efetivamente comparar é a bateria, agora com uma maior autonomia. Mas é claro que estamos a falar de diferença de cores de resolução: o original tinha o típico ecrã de calculadora, preto e sob fundo cinzento, ou verde com a iluminação, ao passo que o novo ecrã tem todas as cores disponíveis em qualquer smartphone.

Recriar um telemóvel histórico, com upgrades do presente e melhorias das características-chave provavelmente será uma deceção para todos os que tiveram o primeiro e que o trouxeram para o futuro na sua imaginação. Estamos a falar de um equipamento novo, que não é um tanque de guerra como o antigo era e que, em termos de beleza, tentou manter o look original mas acabou por ficar desvirtuado. Talvez seja uma purista dos Nokias originais, mas estes já não têm a mesma magia.

Para mim, o meu Nokia 3310, representa memórias de um tempo que já passou, a euforia do meu primeiro telemóvel, o meu primeiro passo em direção à independência e à vida adulta... Até sobreviver a um acidente horrível. O tempo passou para o Nokia e passou para mim, e eu não me consigo render ao novo modelo.

E vocês? O que acham do novo 3310? 

 

Alguns dos mais incríveis Nokias de sempre!