Adulting: Como comprar um Carro

 
 
  Corvette ... apenas nos meus sonhos!

Corvette... apenas nos meus sonhos!

 

Comprar um carro  é, de um modo geral, um marco na vida adulta. Não só passamos a ser responsáveis por algo que retém valor, como passamos a ser responsáveis por toda a manutenção e encargos que possamos vir a ter no futuro, especialmente quando já não contamos com os nossos pais para isso. É quase como ter um filho sozinha... mas um que não nos dá respostas tortas e que regra geral é mais obediente!

Como sei que escolher um carro pode ser uma verdadeira aventura, deixo aqui alguns conselhos para todas aquelas (e aqueles, se for o caso!) que se aventuram agora nestas andanças.

 

1. Comprar Novo ou em Segunda Mão?

Como em qualquer compra, e se calhar deveria ser o ponto zero, a primeira coisa a analisar é o recheio da tua conta. Tens dinheiro para investir num carro novo (ou pelo menos o potencial de o financiares com um leasing?), ou queres algo com um baixo envolvimento financeiro cujo objectivo único é facilitar-te as deslocações? Da mesma forma, é importante ter atenção àquela velha máxima que recomenda os recém-encartados a ter um carro usado, para que caso lhe aconteça algo (esperemos que não), não haja muitas lágrimas com o dano... Moral da História: se tiraste a carta agora, aceita o chaço velho do teu pai/mãe/irmãos ou compra o teu próprio, mas não te aventures já num carro novo!

 

2. Como é que vais utilizar o carro?

Vais conduzir dentro da cidade ou andar principalmente em auto-estrada? Isto vai ajudar-te a delimitar as características do carro que realmente te vão ser úteis:

  • Um carro de cidade precisa de ser económico. Ajuda se não for muito grande e se for confortável para aqueles agradáveis momentos parado no trânsito. Não se esqueçam de ter em conta os amortecedores: com os buracos/crateras que temos em algumas cidades, é fundamental ter amortecedores decentes para não andar aos saltos dentro do carro. Se calhar caixa automática e sistemas start-stop são boas opções para aligeirar o sofrimento do pára-arranca.
     
  • Se, pelo contrário, escolheres um carro que vá ser usado maioritariamente em auto-estrada, presta atenção ao consumo, claro, mas também ao conforto dos bancos e tudo o que esteja ligado ao habitáculo. Tem em atenção também que alguns veículos, como os SUV, pagam valores diferentes nas portagens.
     
  • Gasolina ou Gasóleo? A escolha depende dos quilómetros que pensas fazer nas tuas deslocações: vir todos os dias da linha de Cascais para dentro de Lisboa, não é a mesma coisa do que ir do Campo Grande para as Amoreiras. Os carros a gasóleo são mais caros do que os a gasolina e normalmente a manutenção é também ligeiramente mais dispendiosa, mas se fizeres mais quilómetros, um depósito de gasóleo rende mais do que o equivalente em gasolina.

 

3. Condições de garantia e assistência

Tenta ver além daquele momento glorioso em que, depois de assinares tudo e pagares, te entregam a chave do carro e, na tua cabeça, fazes uma espécie de montagem que envolve entrar no carro de óculos de sol, pôr a música alto e acelerar em direcção ao pôr-do-sol. Ter um carro é fazer um compromisso para pagar contas de revisões, manutenção, etc... Uma boa forma de menorizar a despesa futura de dinheiro é prestar atenção à parte não sexy dos anúncios de carro, em que falam das condições de garantia e da assistência. A Mercedes, por exemplo, inclui no preço do carro 10 anos de revisões, válidas em toda a Europa, (importante nos dias que correm que toda a gente está a sair do país), em que se paga apenas as peças e não a mão-de-obra.

 

4. O Valor de Imposto de Selo

Pois bem, herdaste um carro fixe dos teus pais, mas tens que pagar o imposto de selo do teu bolso e é um balúrdio, especialmente porque ainda não tens "um emprego a sério". Nada como ir ao site do IMT para veres quanto tens de pagar todos os anos. Para pôr isto em perspectiva, pensa o que é que podias comprar alternativamente com o valor do imposto de selo - isto ajuda-me muitas vezes a fazer boas escolhas a nível financeiro, porque dou um valor "real" ao dinheiro e não apenas o número que esta pintado nas notas.

 

5. O Valor Comercial do Carro

Por mais que adores o teu (inserir nome fofinho que chamas secretamente ao teu carro), a verdade é que a não ser que seja um clássico, não o vais guardar para sempre. Quando chegar o momento fatal da venda (quem sabe para trocares para um muito melhor), é importante que o teu investimento inicial guarde ainda algum valor de modo a poderes guardar ou reinvestir o dinheiro. Em suma: escolhe um carro que retenha valor e que seja facilmente transaccionável. Isto tem a ver com a marca e o modelo. Pensa assim, é mais fácil vender um Volkswagen do que um Skoda, apesar de serem do mesmo grupo e, por vezes, idênticos em termos de peças.

 

6. Segurança do Carro

Hoje diz-se para não casares sem fazeres o test-drive à tua relação e, a frase original que diz respeito ao test-drive a carros continua a ser válida. Dois pontos a ter em mente: segurança a travar e a virar.

Quando fizeres o famoso test-drive, trava a fundo e vê o tempo que ele demora a parar mesmo - pista: quanto mais depressa melhor.

Já que não podes testar carros em pista, vê se o carro tem uma boa distribuição de peso entre a parte da frente e de trás (ver: as especificações de carro online ou nos documentos do carro). Carros muito altos têm sempre um centro de gravidade mais alto, o que prejudica em curvas (exemplo prático: os jeep); A distancia entre eixos também influencia a segurança a virar: em carros mais compridos, são mais complicados de manobrar em espaços reduzidos, porque vamos ter de abrir mais as curvas que um carro pequenino - não recomendado às ruas finíssimas da Lapa.

 

Por isso já sabem, quando decidirem comprar um carro, voltem a ler esta lista e façam pesquisas antes de se dirigirem ao stand: vão estar melhor informadas e menos passíveis de ser enganadas por algum/a vendedor/a sem escrúpulos.