The Handmaid's Tale: um livro a ler, uma série para devorar!

 

Tenho uma regra: quando vejo um filme ou uma série, nunca leio o livro em que eventualmente foram baseados. Até agora, as excepções a esta minha regra contam-se pelos dedos das mãos, mas recentemente vi uma série que me fez quebrar a regra: The Handmaid’s Tale.

Bem-vindos a Gilead, uma república num futuro próximo e distópico, claro, em que as personagens vivem numa espécie de regime totalitário com uma forte base cristã, em que a Bíblia é o livro sagrado e o Código Civil. Em termos de sociedade, a sua estratificação está bem definida e cada pessoa sabe o seu lugar. Ok, até agora não é muito diferente de muitas histórias distópicas, por isso preparem-se para o twist: os seres humanos estão a extinguir-se devido a uma onda de infertilidade quase generalizada e o seu futuro está nas mãos das handmaids, mulheres férteis que foram capturadas nas linhas inimigas e que são usadas como barrigas de aluguer forçadas, perpetuando assim a espécie.

The Handmaid’s Tale foi escrito por Margeret Atwood em 1984, enquanto vivia em Berlim Ocidental (República Federal Alemã), com o objectivo de escrever sobre uma realidade diferente mas sem inventar tecnologia, e sem leis e atrocidades que não tivessem já acontecido no passado. A ideia base é o que aconteceria se os EUA sofressem um golpe de Estado que os transformasse de uma democracia liberal num Estado Teocrático.

O livro (e a série) são particularmente relevantes nos dias que correm, ao estarmos perante movimentos políticos que nos aproximam mais da realidade do livro (ou um retrocesso na ordem das centenas de anos), que dos ideais de liberdade a que estamos habituados. É um retrato cru do que seria uma realidade em que as mulheres não têm direitos materiais e nem mesmo ao seu próprio corpo. Para mais sobre como a obra é relevante, leiam isto.

A série ainda não estreou em Portugal (eu vivo fora do país, por isso já devorei todos os episódios da primeira temporada que saíram), mas podem aproveitar para ler já o livro em português, com um título apropriadamente mais forte, ou na versão original.