Adulting: saindo de casa dos pais

 
 
 

Eu sei que a maioria das leitoras já se tornaram independentes, e vivem sozinhas, com maridos, filhos ou com um zoo, mas decidi deixar às que ainda não tomaram esse passo algumas dicas básicas e práticas, para que essa GRANDE decisão não seja um pranto como foi a minha.

Como saberão sou humana (pouco, mas sou), fiz muitas asneiras enquanto adolescente e pré-adulta, e continuarei a fazê-las enquanto a voz não me doer. Com isto não quero dizer que tenho gosto em tomar decisões erradas, mas sei que é com isso que aprendo a crescer e a tornar-me na minha melhor versão (momento life-coach!).

Existem vários motivos pelos quais decidimos tornar-nos independentes: a (má) relação com os pais, o amor das nossas vidas, a vontade incessante de encontrar um espaço que sentes verdadeiramente que é teu. Existirão com certeza outros motivos, mas retirei estes que penso serem os mais fortes. No meu caso, decidi dar o 'grito do Ipiranga' aos 19 anos pelos três motivos acima descritos e acreditem ou não, a relação com os meus pais melhorou drásticamente apartir de então.

Apesar de sabermos que é a errar que aprendemos melhor, decidi ser amiguinha e dar umas sugestões para vos facilitar a vida. Assim sendo, há coisas que devem ter em conta quando decidirem dar esse salto:

1. Não deve ser uma decisão tomada no dia.

A menos, claro está, que encontrem uma casa completamente mobilada e aí o investimento é quase nenhum. Em Portugal, como toda a gente sabe, a maioria das casas são arrendadas sem nada e por isso precisam de um valente pé-de-meia, seja em mobiliário ou em electrodomésticos. E é aí que a factura pesa.

2. Atenção aos básicos

Se não dispõem de muito dinheiro para fazer o investimento inicial, tenham em consideração o  seguinte: conforto, alimentação e higiene. Estes são os principios básicos para o ''guia de         sobrevivência''. Se se regerem por estes três princípios verão que é muito mais fácil             estabelecer prioridades.

3. Quando forem ver casas para arrendar/comprar, façam-no durante o Inverno.

Acreditem, falo por experiência própria, porque já fui enganada muitas vezes. No Verão, as casas são todas maravilhosas, pintadinhas, arejadas, e até cheiram a lavado. Se a casa for húmida, no Inverno, e mesmo que esteja pintada de novo, conseguem sentir o cheiro e o ar pesado da habitação. Não é o algodão que não engana, mas sim o vosso nariz!

4. Ponderem a questão das deslocações para o trabalho.

A distância entre a vossa nova casa e o meio de subsistência não deve ser muita, todos os cêntimos contam e a vossa sanidade mental também. Viver no Cacém e trabalhar no Marquês de Pombal é meio caminho andado para o internamento num hospício. Sim, a IC19 em hora de ponta é pior que uma casa cheia de caruncho (não é, mas dá para perceber a ideia).

5. Se forem partilhar casa com algum amigo, definam bem as vossas ''exigências'' logo de início.         

E não, lá porque somos todos jovens foliões, não devem fazer da vossa casa o spot onde os vossos amigos ou os amigos do vosso room mate aparecem todos os dias, trazem bebidas e cartas para bater uma sueca. A tua casa é o local onde podes fazer tudo isso, mas impõe limites, se não vais ter porcaria para limpar todos-os-dias. É quase como viver numa casa cheia de crianças, todas querem brincar, mas na hora de arrumar ala, que se faz tarde! Eu costumo dizer ''eu chamo-me Joana, mas esta casa não é minha, topas?'' e claro, passo de bestial a besta, porque digo estas coisas sem filtros e as pessoas ofendem-se, 'tadinhas!

Ao interiorizarem a máxima de que se não respeitam o vosso espaço vocês podem e devem impor essa condição, acreditem que começam a notar melhorias!

6. Fazer mudanças é algo que tão depressa me relaxa como no instante a seguir me faz querer arrancar cabelos:

Aproveitem esta altura para reavaliar tudo o que têm e livrarem-se da pilha de tralhas que estão guardada de quando eram crianças. Também podem deixa-las para a vossa mãe guardar imaculadamente no sótão. É tão engraçado visitar a casa dos pais e ver aqueles cadernos cheios de dedicatórias e promessas de amor eterno de malta a quem já não pões a vista em cima há mais de vinte anos. Bem, para mim é engraçado, que a-d-o-r-o guardar pedras de   um rio qualquer no centro do país só porque fui muito feliz nas férias de verão de 1999!

7. Ao começares a empacotar coisas lembra-te do seu grau de importância:

Por norma, começo pelas roupas e calçado da estação anterior. Pelo menos nos próximos seis meses sei que não as vou usar e é menos um monte a entupir o guarda roupa. A partir daí começam a entender o que vos faz realmente falta até ao dia D!

8. Deixei este para último porque para mim, é realmente o mais importante de todos:

Não saiam de costas voltadas com quem deixam para trás, sejam os pais, avós, etc. Nunca sabemos se essa atitude dramática será a última que teremos para com eles. Expliquem-lhes o motivo,  expliquem-lhes a vossa vontade. Abracem-nos, chorem com eles, mas libertem-se desse peso!

Boas mudanças!