Vou passar o Dia dos Namorados... COMIGO mesma!

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Estamos naquela altura do ano em que cada montra está afogada em bonitos corações rosados, em que todas os anúncios televisivos têm de ter um casal platonicamente apaixonado (ou então, um qualquer tipo de perseguição extremamente sedutora que termina, sem exceção, com a junção de mais um casal platonicamente apaixonado) e em que não faltam os produtos à venda que, só por terem um coraçãozinho vermelho ardente num canto qualquer, implicam que se roubem mais uns quantos paus da carteira para se surpreender a nossa cara-metade! Vou deixar de lado as questões relativas às mais variadas maneiras de se celebrar o Dia dos Namorados com aquela pessoa especial que não impliquem: 1) gastar rios de dinheiro ou 2) despachar um presente sem qualquer valor emocional só porque sim (o que significa muitas vezes, cair no ponto 1) outra vez, numa tentativa de compensar a falta de sensibilidade ou de paciência para preparar outra coisa não necessariamente mais complicada)*.

*Nota - Um pequeno-almoço na cama, uma mixtape personalizada ou um conjunto de post-it's adoráveis espalhados pela casa terão, com certeza, mais valor do que comprar aquela pulseira da Parfois ou t-shirt da QuickSilver que metade da cidade tem igual.

Deixando isso de lado,  podem perguntar-me: "E se eu não tiver um alguém especial?". Neste caso, eu respondo: "Há problema?"

Certamente que por aí haverá quem nem se lembre desta celebração anual mas o mundo consumista em que vivemos parece que não nos quer deixar esquecer esta data, o que pode tornar tudo mais difícil para quem acabou de sair de uma relação, para quem anseia outro tipo de atenção daquela pessoa que nos acelera o coração ou para quem simplesmente se assume um romântico inconsolável.

A vontade de nos deitarmos no sofá com uma manta e uma lata de gelado de chocolate a ver filmes lamechas e a chorar que nem uma Madalena pode ser grande, mas não vai fazer nada por nós!  (Principalmente, se tivermos a noção de que sentimentos de culpa  imensos se irão apoderar de nós logo depois dessa noite)... Em vez disso, não será importante lembrarmo-nos de uma das condições que deveria ser fundamental antes de qualquer uma de nós se envolver numa relação (e que muitas vezes é completamente subvalorizada!)? Não será importante lembrarmo-nos de que, antes de podermos amar alguém, temos de nos conseguir amar a NÓS?

A capacidade de sabermos gostar de nós é imprescindível, não só como condição prévia a qualquer relação, mas como condição para o nosso próprio bem-estar diário (com ou sem um príncipe encantado ao nosso lado!). Não podemos, em altura alguma, achar que o carinho de alguém por nós pode substituir completamente aquele carinho que deve ser reservado para nós mesmas! É verdade que sentirmo-nos amadas ajuda mas não é suficiente! E é também verdade que esta condição é aquela que parece ser mais difícil de atingir! Experimentem fazer uma lista do que gostam e do que não gostam em vocês. Quase que poderia assegurar que muitas de nós teríamos muito mais dificuldade em apontar qualidades do que defeitos! A capacidade de nos amarmos é normalmente empurrada para segundo plano porque priorizarmos todas as outras infinitas coisas que nos ocupam o dia a dia (trabalho, família, estudos,...) ou, então, porque simplesmente não nós achamos merecedoras deste simples direito (e dever!) que temos de nos cuidar e amar!

Por isso, eu sugiro a quem perguntava "E se eu não tiver um alguém especial?" (e até mesmo a quem não perguntava) que aproveite este dia 14 de Fevereiro para se dedicar a AMAR-SE a si mesmo porque, afinal, se nós não o fizermos, ninguém o conseguirá fazer por nós!