Dia dos namorados a três... (ou a quatro)

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Toda a classe namoradeira adora estes programinhas a dois: um jantar romântico, uma ida ao cinema e fantasiar com o Mr. Grey, uma visita guiada ao motel, umas algemas e está a festa montada. Nada contra, tirando aquela Anastácia, que é uma sonsa com a mania que é púdica.. não tuge nem muge, uma maçada! A dúvida põe-se quando se tem filhos... e um cão... A menos que tenham uma aia capaz de entreter a criançada, se for o caso, parabéns!, têm a questão resolvida!

Já eu não tenho essa sorte (ou azar...).  A “lapinha” está sempre comigo. É como estar acompanhada de um deus omnipresente e todos juntos somos a santíssima trindade + 1, o cão. O problema é que de santos temos muito pouco. Já vão perceber porquê...

Até podemos ir jantar fora a um qualquer restaurante requintado, cheio de copos e talheres, desde tenham cadeiras para crianças, sopa passada, fruta para sobremesa e muita paciência  para uma mãe que pede tudo aos bochechos e para uma criança que adora fazer birras em público. O pai, o único santo deste quadro de ''A Última Ceia'', observa tudo isto sem se manifestar muito, e está sempre tudo bem. A vida é maravilhosa para quem come a sua refeição quentinha. Não é o meu caso, que tenho que dar a sopa à miúda enquanto tento comer umas garfadas de um bife já previamente cortado, e assim poder usar uma só mão para meu deleite alimentar. Tem vezes que me sinto um polvo, ou queria ser um, juro!

Os filhos são a melhor coisa do mundo, tirando quando queremos privacidade. Ao mínimo ruído vem o fedelho e salta para a cama dos pais quase que em voo e insiste em se infiltrar no ninho do amor. Todo o deslumbramento de uma queca bem dada se desvanesce. ''Lá vem a empata'' – pensamos. E pensamos bem.

Acabamos muitas vezes a estudar tudo ao mínimo pormenor: se a cama está encostada à parede, não deve estar, porque a criança vai ouvir ''o vizinho a pregar quadros na parede'', e logo logo estará juntinho a vocês. Falar, grunhir, gemer, sim.. mas pouco e baixinho, que o sonar da pequena é tão ou mais apurado que o dum golfinho no rio Sado.

Esperar até que o petiz entre em sono profundo, o que connosco deve acontecer só nas primeiras duas horas (pouco útil, portanto), é também uma boa solução para que o vosso momento a dois não seja interrompido.

Já estou a imaginar um carreiro feito com pétalas de rosa e velinhas a tremelicar iluminando o caminho para a suite presidencial, o nosso quarto. Onde estará uma garrafa de champanhe barato, uns morangos do Lidl e uma lata de chantilly... É um quadro cliché, convenhamos. Mas quem é que não gosta? O meu cão adora... come as pétalas sem questionar e o cheiro das velas faz-lhe alergia. Uma flor de estufa que come flores e depois purga. É lindo de se ver!

Posto tudo isto, desistimos e vamos para a sala, abrimos o sofá, bebemos uns tintos e fazemos a festa que nem dois adolescentes dentro do carro dos papás que vão dar a escapadela do costume.