Como Viver no Estrangeiro Pode Mudar a Nossa Perspectiva de Vida

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A minha viagem no estrangeiro começou em 2012, quando arranquei de malas e namorado para o Dubai. Morei em Lagos, no Algarve, até aos 17 anos, altura em que me mudei para Lisboa para estudar na universidade. Vivi durante 6 anos na capital, até que o meu marido (na altura namorado) arranjou trabalho como treinador de ténis no Dubai, e uma semana depois do convite, embarcámos numa das maiores aventuras da nossa vida. Ainda me lembro o quão ansiosa, triste e perdida me senti. A viagem durou um dia inteiro. Fomos de Lisboa para Londres e depois para o Dubai. Só chegámos ao destino na manhã seguinte. Essa aventura durou aproximadamente um ano e meio. Embora tenha sido uma experiência enriquecedora, ambos decidimos que aquela não era cidade para nós. Mas também não queríamos voltar para Portugal.

No espaço de semanas, decidimos que queríamos viver em Nova Iorque. Tal como eu, a maior parte das pessoas, não tem noção de quão fácil é um treinador de ténis arranjar trabalho - em quase qualquer parte do mundo. Em duas curtas semanas, o Manel arranjou trabalho em Long Island, Nova Iorque. Na altura, não tinhamos noção, mas aterrar em Nova Iorque no dia 7 de Julho de 2014 iria mudar a nossa vida.

Viver no estrangeiro é uma experiência única na vida de uma pessoa. Não só a nível da mudança geográfica que fazemos, mas também psicológica e comportamental. E esta já era a nossa segunda vez. Apercebemo-nos a meio da jornada que nunca mais voltamos a ser a pessoa que éramos antes de embarcar.

Muito do que fazemos no nosso país de origem é tomado como garantido. E viver no estrangeiro, muda completamente a nossa perspectiva de vida e a forma como a vivemos. Principalmente porque começamos a prestar atenção a pormenores que, de outra forma, seriam mundanos e pouco importantes.

Começamos a sofrer de FOMO (ou Fear Of Missing Out).

Fear of Missing Out é uma expressão americana muito comum. Significa o medo de perder momentos. Para mim, a batalha mais difícil é não estar tão presente na vida da minha família. Quando vivia em Lisboa, pelo menos, uma vez por mês, ia até casa. E por mais deprimente que soe, viver em Nova Iorque obriga-me a perder momentos importantes. Não só na vida da minha família, mas também da dos meus amigos. Queremos estar presentes em casamentos, aniversários, baby showers, mas nem sempre podemos. Já perdi a conta aos casamentos a que não pude ir porque a viagem era demasiado cara.

Há amigos que vão ficar chateados, outros de quem nos afastamos, e se afastam, naturalmente. Mas não é uma situação que consigamos controlar. A distância faz com que apreciemos muito mais a família e os amigos que vão ficando. Desde que comecei a viver no estrangeiro, apercebi-me que se existe alguma coisa que nos aproxime ainda mais das pessoas, é a distância.

Começamos a gostar mais de casa.

Desde que estou em Nova Iorque, tenho conseguido ir a casa duas vezes por ano. E cada vez que lá vou - à parte da pressa e vontade de ver tudo e todos - é a melhor coisa do mundo. Sítios a que normalmente ia todos os dias, transformam-se em momentos especiais. Adoro estar em Lagos e passear, tirar fotos e aproveitar ao segundo toda a familiaridade de que sinto tanta falta.

Começamos a estar mais atentos.

Quando nos mudamos para uma cidade nova, ficamos muito mais conscientes de tudo o que se passa à nossa volta. As pessoas, os sítios, a comida. E isso transfere-se um bocado para a nossa vida e trabalho. A atenção ao pormenor nunca é demasiada.

Começamos a descobrir-nos.

Por muito piroso que possa soar, é verdade. Nunca vamos passar tanto tempo sozinhos, como quando vivemos no estrangeiro. Temos de ultrapassar o estigma de fazer coisas sozinhos, como navegar numa cidade como Nova Iorque. Enfrentamos os períodos mais difíceis da nossa vida, mas também são os que nos tornam mais resilientes, fortes e independentes.

Sempre soube que queria viver no estrangeiro. Fosse através de um programa de estudos ou trabalho. Ainda me lembro, no dia em que me casei, uns meses antes de me mudar para Nova Iorque, uma das minhas melhores amigas veio ter comigo, e disse-me que sempre soube que eu ia lá viver. Começámos as duas a chorar, abraçamo-nos e brindamos a isso. Até hoje, nunca me arrependi. E apesar de não chamar "casa" a Nova Iorque, neste momento não me imagino em mais lado nenhum. Talvez no sul da Califórnia, onde está sempre calor!

Se estás a pensar/considerar a hipótese de te mudares para o estrangeiro, o meu conselho é: não hesites! Não penses muito no assunto. É uma das melhores experiências que podes ter na vida e o que aprendes, não há outra forma de lá chegar.

Já viveste no estrangeiro? Partilha a tua experiência. Tenho sempre curiosidade em saber!

X Eduarda

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