Genocídio 101

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Aviso: este texto contém informações chocantes que podem resultar num elevado peso de consciência. Opção A: fechar a página, abrir o Instagram, fazer o habitual scroll no mundo das futilidades e continuar a viver na ignorância, numa espécie de negação constante da realidade.

Opção B: continuar a ler (nem que seja por curiosidade), descobrir números revoltantes, ficar incomodado e tirar uns minutos para pensar numa solução.

Se escolheste a opção B, parabéns. Agora prepara-te.

O Darfur é uma região no Sudão, do tamanho da França, onde o acontecimento do ano não é um campeonato de futebol, mas um genocídio. Começou em 2003, mas não é algo que tenha ficado no passado. De facto, perdeu-se no passado, como convinha e interessava aos governos. Mas ainda não acabou. O Darfur ainda é palco para atrocidades enquanto o mundo assiste a outros programas de televisão.

O genocídio está a ser levado a cabo por um grupo chamado Janjaweed, armado e financiado pelo próprio governo. Os Janjaweed queimam as vilas, destroem todos os recursos económicos, poluem as fontes de água potável com cadáveres, assassinam, violam e torturam. Mais de 480,000 pessoas foram mortas e 2,8 milhões de pessoas estão desalojadas. Com que objetivo? Tirar todos os agricultores não árabes das terras e criar um estado pan-árabe.

Então e os países ocidentais, perguntam vocês, não podem fazer nada?

De facto, em 2004 os Estados Unidos da América declararam que a situação era considerada um genocídio. Mas tanto a China como a Rússia têm interesse em virar a cara a estas atrocidades, não só por causa do petróleo, mas também por causa das alianças políticas. Omar Bashir, presidente do Sudão, enfrenta acusações de crimes contra a humanidade e genocídio. O mais revoltante? Foi acusado em 2010 e, para além de ainda não ter comparecido em tribunal, a violência continua a aumentar.

É mais fácil virar a cara, fechar o site, mudar de canal, mas não vos pesa a consciência? Numa consulta rápida ao dicionário chegamos a esta definição “genocídio: tentativa de, ou destruição, total ou parcial, de grupo nacional, étnico, racial ou religioso”. Não vos lembra nada? Holocausto, nazis, judeus? Alguém me explica como é que ficamos impressionadíssimos cada vez que se fala do holocausto, mas está a acontecer o mesmo AGORA e agimos como se fosse normal?

Está na hora de acordar! Informem-se! Espalhem a palavra! O mundo caminha para um precipício chamado egocentrismo. E é empurrado por uma enorme crise de valores. Valores esses que foram substituídos por interesses políticos e económicos. Não deixem que se dê mais um passo nessa direção. Paremos de pensar só nos nossos umbigos. Há milhares de pessoas que precisam que lhes seja devolvida a voz e nós temos uma. Usemo-la.


Beatriz Mendonca da Fonseca é de Coimbra vive em Londres onde estuda Jornalismo em Goldsmiths, University of London. Wannabe correspondente de guerra; choco-dependente; viciada no Instagram; defensora acerrima dos Direitos Humanos. Hobby favorito: comer chocolates enquanto procrastina.