5 coisas do pós-parto que ninguém fala

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Dia 25 de Novembro de 2015, às 12h57 minutos: a minha vida mudou, o meu bebé nasceu. Com ele trouxe muita felicidade, alegria e amor, mas também muitas dúvidas e preocupações. E enganos… Engana-se quem pensa que isto de dar à luz só é difícil até o bebé nascer, que depois tudo passa com a alegria da chegada de um pedaço de ti, que ansiavas há nove meses. O pior está para vir.

As dores do parto são anestesiadas, não só pela abençoada epidural, mas também por ires finalmente ver a cara do teu rebento. O pós-parto não tem recompensa nenhuma (para além do teu rebento juntinho a ti…). A epidural já passou, mas disso ninguém fala. Parece tabu.

Vamos lá aos 5 factos do pós-parto de um parto natural baseado apenas e só na minha experiência (que vale o que vale…):

  1. O volume da tua barriga de grávida vai continuar apesar de já teres dado à luz… Sim, quando me levantei da cama duas horas depois de ter dado à luz pensei que ia estar inchada e claro que sabia que a barriga não ia logo voltar ao normal. Só não estava a espera de me continuar a ver grávida… Parece mesmo que ficou outro bebé ainda dentro da tua barriga. Mas não ficou. É claro que volta ao normal, só não estás preparada para aquele choque inicial. Portanto esquece aquelas imagens com que nos bombardeiam nas revistas e redes socias de mães fit e princesas elegantes, porque vais sair da maternidade quase tão grávida como quando entraste.
  1. Continuas com contracções…É normal e faz todo o sentido pois o útero está a tentar voltar ao seu tamanho normal. Mas eu nunca tinha pensado nisso, e também nunca ninguém me informou então foi outro choque.
  1. As necessidades fisiológicas são outro grande problema… Este tema é quase senso comum mas mesmo assim prepara-te, mal comeces sequer a pensar que tens vontade de fazer xixi vai! Porque caso contrário não o vais conseguir conter dentro da bexiga como habitualmente. No caso do cocó, foi o oposto… com medo de abrir os pontos não vais querer fazer força… depois dás por ti sem fazer durante uma semana. Provavelmente é melhor fazeres força.
  1. As contradições entre enfermeiras. Pois, desta também não estava à espera. Durante a estadia no hospital, passam pelo nosso quarto várias enfermeiras diferentes. O que acontece é que de manhã vem a enfermeira “Maria” diz para fazer “assim”. E tu fazes “assim” porque foi a enfermeira que disse que era “assim” que se fazia. De tarde a enfermeira já é a “Aurora” e pergunta te mas que raio estás tu a fazer porque não é “assim”, é “assado”! E tu, marinheiro de primeira viagem, começas a entrar em pânico porque não fazes ideia do que tens de fazer. Para ajudar entra a tua mãe/sogra/avó(s) que ainda vêm dizer que no tempo delas não era nada assim e criaram-nos na mesma que devias fazer como elas faziam. Vai te apetecer mandar tudo à fava. Respiras fundo, olhas para o teu bebé e vais saber o que fazer. Pode não ser o que disseram as enfermeiras ou a tua mãe, mas confia no teu instinto porque não se fala dele à toa.
  1. A amamentação. O problema em si não foi a amamentação pois eu já sabia que ia doer… o problema foi que sempre pensei que bastava meter o bebé ao pé da mama e ele mamava. E até mamava, caso os meus mamilos não estivessem metidos para dentro… O problema não era do bebé o problema era da mama. Então cada vez que o meu rebento tinha de mamar eu tinha de apertar o mamilo de modo ao bebé conseguir agarra-lo. Tudo bem até aqui, não fosse eu ser uma aselha e não conseguir fazer isso sozinha. Até apanhar o jeito eram as enfermeiras que me ajudavam. Sentes-te uma naba porque nem mama consegues dar ao teu bebé, só não sabes é que isto é perfeitamente normal e nenhuma mãe nasce ensinada.

Não é tudo um mar de rosas e nem tudo são espinhos. A natureza é uma coisa do caraças e tem isto tudo bem nivelado. Não devemos é andar iludidas com princesas e famosas onde tudo parece perfeito, quando na realidade se calhar não é. Devemos mostrar as coisas boas mas também as coisas menos boas.

Vamos ser realistas.


Cláudia Gonçalves: 28 anos, Carneiro e mãe de primeira viagem