A mãe também quer

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Saudações maternais! É mesmo esse o tema que me apetece abordar hoje: maternidade. Apetece-me porque sou mãe e não sou galinha. Desculpem lá qualquer coisinha... Neste texto não vão encontrar coisas bonitas sobre a minha experiência enquanto mãe, nem vou falar de cocós (tirando os meus), nem de marcas de fraldas. Vou falar de MIM!

''Ser mãe é dar sem esperar nada em troca''. Tretas!

Ser mãe é dar (tudo) mas querer oito horas de sono,  querer comer uma refeição quente (entenda-se que quente não é requentada). Ser mãe é desejar meditar tranquilamente em seu trono sem que haja um Minion a contorcer-se para espreitar sanita a dentro.

A mãe também quer coisas, sabiam? E eu não me culpo por isso.

Há por aí muita mãe (a minha incluída) que vive uma vida inteira em função do marido e dos filhos, da casa limpa e arrumada, a roupa tratada, louça lavada, cabelo arranjado, unhas pintadas e tudo isto enquanto cambaleiam em saltos altos. É quase como participar no Cirque du Soleil só que sem a parte dos aplausos...

Digam comigo em uníssono: ''exaaaaaaacto!!!''

Isto é realmente o ''ideal'' imposto pela sociedade mas lamentavelmente (ou não) eu não sou assim...

Desculpem lá...

Quanto a mim, incomode-se quem quiser, faço quando me apetece e se não me apetece não faço. Confesso que são mais as vezes em que efectivamente não me apetece.

Parece que a vida é feita de apetites: dependendo do palato de cada um, engole-se o que se quer.

A primeira coisa que faço quando chego a casa depois do trabalho, e de ir buscar a miúda aos avós, é pegar no meu ''copásio'' de vinho. Encho-o requintadamente com o melhor tinto da promoção da semana (alentejano, preferencialmente), visto o roupão de seu cognome "O Seboso" e calço as pantufas. Eis que todo um universo matriarcal se desenrola à minha volta:

  • A preparação do jantar, que por norma é o maridão que o faz. (Graças ao Senhor!)
  • A ida à rua com o cão, prevenindo a profanação de uma casa ''imaculadamente limpa''. (Pois, claro!)
  • O banho da miúda e o que vai vestir no dia seguinte.

Mães: se querem que o pai saiba vestir o vosso rebento sem que pareça um nativo peruano (não desfazendo, que até gosto dos padrões e cores das suas vestes), ensinem-no a arrumar a roupa. Assim saberá onde está o quê e poupam imensas desculpas quando a criança aparecer com calças amarelas às riscas,  camisola encarnada com zigue-zagues verdes e sapatilhas azuis. Vão por mim, que só tenho dois anos disto!

Por fim, quando o membro mais novo se rende pelo cansaço, lá vamos nós (os pais), quase que em pecado, para a sala ver o Masterchef Austrália enquanto enfardamos umas guloseimas e brindamos à meia hora de vida conjugal. Somos uma familia feliz!

________________________________________________________________________ Joana Gusmão, tem 28 anos embora pareça ter 18. É mãe,  mulher, trabalha e escreve umas coisas em part-time.