"Hoje vou ser um zombie pop art cor-de-rosa! - e fui."

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Alicia Keys fez uma entrada a pés juntos na consciência feminina colectiva. Afirmou mesmo que não voltará a maquilhar-se para não “voltar a esconder-se”. Mas gente, entendam que isto não é um movimento anti-maquilhagem. A própria declarou que era apenas uma forma de se manifestar contra a indústria, contra a ideia que as mulheres são pressionadas a ser “magras, sexy, desejadas ou perfeitas”. É uma forma de despertar para a objectivação da mulher. Ora, isto deu pano para mangas. Não entendem que somos todos livres de usar o que bem nos apetecer? Acho muito bem que a senhora traga para a ribalta o facto de sermos livres de vestir/maquilhar/pentear como queremos, ainda mais sendo uma figura pública. Não estou a defender “não usem maquilhagem”, apenas a querer apresentar o meu ponto de vista, que se baseia na liberdade.

Trabalho no mundo da moda, “uhhhh sou fútil e uma barbie” pensam logo à partida. Enganam-se. Sabiam que na equipa até nem sequer nos maquilhamos para vir trabalhar? E somos maioritariamente só mulheres. E a maquilhagem, os cabelos, a roupa, são o nosso dia-a-dia. Mas todas nós encaramos a maquilhagem como uma ferramenta que potencializa a nossa confiança e auto-estima. Tal como a roupa. Ou os sapatos. Ou aquele dia que se acorda com o cabelo perfeito e nem vai ao pente.

Acabamos por nos maquilhar somente quando sabemos que vamos ter reuniões ou estar com “pessoas de fora”, tal como pomos o nosso melhor trapinho. Isto é por uma questão de representação da empresa, da equipa, da nossa imagem e da nossa confiança; queremos estar no nosso A-Game. E quem não faz o mesmo?

Agora, virem-me dizer que “Não entendo as pessoas que vão ao super mercado sem maquilhagem…Nunca saio de casa sem maquilhagem, nem para ir comprar pão”. Para mim, esta postura incomoda-me um bocadinho. Parece que até nem somos ninguém se andarmos sem maquilhagem. E são precisamente estas pessoas que fazem com que haja esta “pressão” para se estar sempre constantemente apresentável. Qual é o problema de ir ao super mercado com as minhas olheiras de estimação?! Ou com aquela p*** daquela borbulha à mostra? Porque na realidade a cara com manchas, com sardas, com borbulhas, com olheiras até ao chão, é real, é nossa e quem somos.

Vejo a maquilhagem apenas como uma forma de destacar o que de maravilhoso já existe e não de substituição. Como apaixonada por maquilhagem, digo-vos que nada me dá mais prazer do que terminar uma maquilhagem em alguém e ver a sua auto-estima a dar uma reviravolta. “Uau, estes são os meus olhos? Uau, estes são os meus lábios?” são sim senhor, e já lá estavam.

Acho muita piada quando os meus amigos (homens) me contam a piada: num primeiro encontro, atirem-na para a piscina, assim saberão o que vos espera. Não deixo de pensar no quão artificiais podemos ser. Daí eu sempre ser apologista do Keep It Simple.

Repito, somos todos livres de andar como nos apetecer. No outro dia até acordei e disse “Hoje vou ser um zombie pop art cor-de-rosa!” e fui.